Cinema

Publicado: Terça-feira, 3 de agosto de 2010

Californication é uma série de altos e baixos

Box com as duas primeiras temporadas já está disponível.

Por Leandro Sarubo

O escritor Hank Moody, que vive um ócio patológico, é um mau exemplo para sua filha, um constante problema para seu agente, um viciado em sexo e bebidas e a redenção de David Duchovny, que interpretou por longos oito anos, Fox Mulder, alma de Arquivo X.

O Box com as duas primeiras temporadas de Californication, que entra em seu terceiro ano no canal pago Warner, não é a opção ideal para presentear no Dia dos Pais ou mesmo no Natal, mas é a grande alternativa dos fãs das séries americanas feitas para chocar. A comédia tem cenas bem pesadas, seja na cama ou em relação ao consumo de drogas.

O primeiro ano é infinitamente melhor que o segundo. A temporada começa com a passagem que implica na história dos anos seguintes. O envolvimento de Moody com uma menor de idade aproveitadora que acaba se lançando na carreira literária roubando um manuscrito do herói pervertido de Los Angeles – entenderam o nome da série agora?

Hank, brilhantemente interpretado por Duchovny, que sempre foi um bom ator, se vê prestes a perder oficialmente Karen, a mulher que ele deixou escapar por seus exageros e que acredita ser capaz de tratar responsavelmente, “monogamicamente”.

A humanidade do personagem vem sobretudo da relação com sua filha, a rebelde Becca, que às vezes incomoda por ser interpretada pela jovem Madeleine Martin com certo exagero.

A cena final da primeira temporada brinca com a alegoria do conto de fadas, que em L.A é um pouco mais bitolado. O casamento que decretaria a fossa eterna do protagonista não se consumou – a noiva correu descalça em direção ao Porsche com seu amor e sua filha, deixando a festa e a sensação de que não haveria uma história para a temporada seguinte.

Impressão confirmada prontamente, diga-se. Contratado para escrever sobre um produtor de grandes bandas de rock com passado emocional misterioso, Moody finaliza a temporada lançando enfim um livro, marcando outras mulheres e, inexplicavelmente, abrindo mão de morar com Karen em sua cidade de sonhos, Nova York, nos últimos minutos da série. Tudo muito estranho, muito conservador para um roteiro dinâmico e sem compromissos com moralidade e outros acepipes ficcionais. Faltou história, para simplificar.

De saldo positivo, apenas a garantia que a terceira temporada é épica, espetacular, e que a segunda tem pontos altos com os atores coadjuvantes, afinados e bem interpretados.

Os DVD’s são recheados com entrevistas e materiais extras que não são propriamente espetaculares, mas honram o investimento.

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