Entrevista com o professor acadêmico Ulisses Velasco
Renan PereiraItu.com.br - Você é a favor do recente Acordo Ortográfico firmado entre os países que têm o português como língua oficial?
Ulisses Velasco -Não chego a ser contra, mas acho que as modificações talvez possam não valer tanto a pena diante dos transtornos que estão sendo e serão causados.Mas valem sempre a pena as tentativas de aproximar, tornar mais semelhantes as normas do idioma dos países de origem ou colonização portuguesa no mundo.
Itu.com.br - Depois do Acordo, qual foi a principal mudança na sua rotina como professor?
U.B - Como professor, nenhuma. Não adoto a nova norma em meu dia-a-dia acadêmico. E nunca identifiquei pontos da nova norma nos materiais dos estudantes.Já no outro trabalho que tenho, sim, já que adotamos a nova norma desde o fim de 2008. Sempre tenho que revisar textos de articulistas. E também aprendo junto,pois normas novas são mesmo um pouco custosas para se memorizar e aprender.
Itu.com.br - Os seus alunos têm apresentando dificuldades para trabalhar com as novas regras?
U.B - Não exijo as novas regras dos meus alunos. E eles não a utilizam. Para ser sincero, imagino que a maioria não conseguiria dar mais do que dois exemplos dasmodificações. Não peço porque a norma "antiga" ainda é válida por um certo tempo. Infelizmente, o trabalho atual na faculdade é fazer o aluno trabalhar bem com aLíngua Portuguesa de maneira bem simplória mesmo. Já ficarei bastante contente se conseguir sucesso assim.
Itu.com.br - O Brasil tem até o final do ano de 2012 para se adaptar ao novo Acordo gramatical. O que deverá mudar na rede de ensino durante estes dois anos e meio?
U.B - Os professores, principalmente de Língua Portuguesa, terão que bater firme nas modificações para que os alunos não errem tanto quando a norma for a única definitiva. E os professores de outras matérias terão que ficar atentos para não permitir uma "salada" por parte dos alunos. Isto é, manter uma unidade nos textos(ou só a norma velha ou só a nova) e reforçar como é a nova norma, para os alunos irem se acostumando aos poucos. É um trabalho a mais para todo mundo. Masnada que incomode tanto. Sem falar que só de discutir, jogar nosso Idioma na roda de discussões, já é ótimo sob o ponto de vista da Didática e do Ensino.