Enquanto reza, vá fazendo

A história da humanidade sempre enfrentou desafios de sobrevivência de acordo com o seu tempo. Inventar a roda só foi possível porque, ao homem daquele tempo, aquela invenção significava melhorar sua qualidade de vida e garantir sua sobrevivência.
Em tempos atuais, quando poucos desafios pareciam restar às novas gerações, somos surpreendidos pelo mais complexo, senão maior, desafio da nossa história: salvar o planeta para salvar a humanidade!
Por isso esse tema, de suma relevância obviamente, invadiu as salas de aulas. Congressos, seminários e palestras, destinados aos educadores, têm defendido como pauta principal a reflexão sobre o assunto. A escola precisa construir, junto à nova geração, a consciência coletiva do que é possível fazer, ainda que pareça “trabalho de formiguinha”, para salvar a vida “do” e “no” planeta.
É nessa hora que a educação, no sentido lato, convida as escolas para defender a idéia de que somos todos, como diz Luis Fernando Veríssimo, inquilinos da Terra, com obrigações, inclusive, de prestar contas no final do contrato de locação. Educar, para formar a consciência planetária, significa compreender a Terra como a casa de todos nós, um lar-comum.
Juntos, pais e professores, conquistamos (e essa conquista é no sentido de consequência pelo que fizemos ao nosso planeta) a responsabilidade de conduzir a geração dos nossos filhos à formação da consciência planetária, que não se dá por meia dúzia de palavras bonitas. Consciência se forma a partir de modelos reais, ações, atitudes; como diz um provérbio africano: enquanto reza, vá fazendo.
Que ações são essas?
O último relatório da ONU propõe soluções em grande escala que envolvem ações políticas e econômicas internacionais no desenvolvimento de tecnologias limpas. Perfeito! Mas as ações que verdadeiramente educam, formam a consciência, provocam mudanças de hábitos, são as pequenas, realizadas no dia-a-dia, possíveis a cada um de nós e que podem, sim, salvar a Terra da catástrofe que se prenuncia. Você está pronto para ser o herói do nosso planeta? Não se trata de missão impossível, ao contrário.
Veja o que você pode fazer, inclusive, no quintal da sua casa ou sem sair dele:
- Plante árvores, muitas árvores;
- Preserve as já existentes, assim como matas no entorno da sua casa;
- Compre aparelhos de energia renovável;
- Ande de bicicleta e caminhe sempre que possível;
- Evite o desperdício de água e energia elétrica;
- Substitua a sacola plástica descartável por uma reutilizável;
- Recicle: jornais, latas, vidros e afins;
- Reuse o verso da folha de papel para rascunho e anotações;
- Não jogue sujeira no chão, muito menos em córregos e rios;
- Recolha seu lixo da areia no final do dia na praia, da churrasqueira no clube ou da cantina na escola;
- Evite usar produtos descartáveis;
- Consuma sabonete, xampu, sabão e detergentes biodegradáveis;
- Dê preferência ao que for produzido na região, que dispense transporte de longas distâncias;
- Opte por produtos naturais, como a citronela e a arruda, ou telas de proteção para controle de insetos em sua residência;
- Boicote empresas omissas à causa, cuja ganância se sobrepõe ao bem-estar geral;
- Proteste quando presenciar um ato de violência ao planeta;
- Assuma essa luta como a “bandeira” da sua geração, assim como os hippies fizeram na época deles e deixe sua marca na história da humanidade;
- Se for maior de dezesseis anos, vote em políticos comprometidos com a preservação do planeta;
- Cobre ações efetivas do Congresso; e
Se acreditar no poder da oração, reze... Mas continue fazendo a sua parte!