Cultura

Publicado: Domingo, 27 de março de 2011

"O amor supera tudo!" Será mesmo?

Relacionamento à distância é tema de reportagem no Itu.com.br

Crédito: Arquivo Pessoal "O amor supera tudo!" Será mesmo?
O casal Natalie e Ozires. Ela em Minas Gerais e ele na Bahia

Por Camila Bertolazzi

No tempo dos nossos avôs, namorar era cheio de regras. Ir para o quarto nem pensar. O casal ficava no sofá da sala sob supervisão dos pais e, em muitos casos, o primeiro beijo só acontecia depois do casamento. As décadas se passaram e agora tudo é diferente. Quando surge um novo amor, nada melhor do que as trocas de carinhos, um cinema com pipoca ou ficar agarradinho de baixo do edredom. Mas com os avanços da tecnologia uma nova maneira de namorar está virando moda. No chamado relacionamento à distância, os casais estão juntos, mas separados por milhares de quilômetros.

Embora esse tipo de relação fuja dos moldes do tradicional namoro, ela faz parte da vida de cada vez mais brasileiros. A jovem Natalie Ribeiro, de 23 anos, conheceu o atual namorado numa viagem que fez à cidade de Barreiras, no interior da Bahia. “Ficamos amigos e ele só se declarou anos depois. Agora, conectados a maior parte do tempo por e-mails e telefonemas, já estamos juntos há um ano”.

Mas os quase 1.500 quilômetros que separam o casal tornam o relacionamento mais difícil do que deveria ser. “Qualquer coisa toma proporções muito maiores, porque não temos a vantagem de olhar nos olhos para resolver o problema. É preciso uma confiança enorme, de que vocês se amam e por isso estão juntos. Além disso, tem que haver respeito e saber abrir mão de algumas coisas”. A estudante de agronomia conta que muitas vezes deixou de fazer um programa com as amigas para passar horas na Internet, conversando com o amado.

Em entrevista ao Itu.com.br, a psicóloga Silvia Brezzi afirmou que nesses casos, quando o casal já tem um vínculo que possibilita a intimidade e por alguma razão precisaram se separar, “a Internet serve como um minimizador de tempo e distância, porém, antes dessa fase é preciso que o casal tenha vivido o olho no olho, face to face, e trocado intimidades que agora fazem parte da memória celular”, explica.

Por outro lado, existem os casais que se conhecem pela Internet e constroem o relacionamento à distância. “Eu estava xeretando numa comunidade do Orkut quando encontrei o Carlos Henrique (nome fictício), trocamos alguns e-mails até que começamos a namorar”, conta Regina Rodrigues (nome fictício), de 33 anos. Durante os 11 meses de relacionamento, o casal viajava quase 400 quilômetros – entre Itu e Bebedouro - a cada duas ou três semanas. E apesar do namoro ter chegado ao fim, a ituana consegue ver um ponto positivo nesse tipo de namoro. “Com a distância a gente perde a convivência do dia a dia, mas tem o lado bom da saudade, que dá a sensação de início de namoro sempre. Quando nos encontrávamos era mais intenso e cada minuto era aproveitado ao máximo. Além disso, tínhamos mais tempo para nos dedicar aos amigos”.

Segundo Brezzi, a Internet é um caminho rápido para conhecer pessoas e que pode funcionar, desde que por um período curto. “Para que a relação pendure é preciso que se crie um vínculo com mais intimidade e aprofundamento, só assim o casal poderá experimentar o amor”. O maior problema, segundo a psicóloga, é quando as pessoas criam um personagem, nem sempre real, que funciona como um “meio de colocar para fora um lado que, por alguma razão, só aparece no mundo virtual”.

A dica da profissional para as pessoas introvertidas é mesclar o uso das mídias sociais com a vida noturna, em boates e barzinho. “Não se pode criar uma barreira muito grande entre o eu real e o imaginário”, explica.

No filme Going the Distance (Amor à Distância), Drew Barrymore e Justin Long dão vida ao jovem casal Erin e Garrett que experimentam as turbulências de um relacionamento à distância com a ajuda de muitas mensagens de texto, recados sensuais e telefonemas até altas madrugadas.



Confira outras dicas de quem passou ou está passando por esta situação:

> Conversar diariamente pelo telefone ou Internet;
> Incluir sempre que possível o seu parceiro (a) nas suas atividades diárias;
> Celebrar aniversários mensais;
> Fazer juntos os planos para as próximas férias;
> Fazer gravações de mensagens via vídeo e enviar para o parceiro (a);
> Enviar presentes e cartas pelo Correio;
> Fazer encontros românticos semanais pela Internet;
> Incluir metas para o futuro do casal.

A questão ciúme

A palavra chave para um relacionamento à distância é confiança. É preciso ser flexível para aceitar e entender as saídas com os amigos; evitar brigas bobas e o ciúme excessivo também ajudam a preservar a relação. “O ciúme existe como em qualquer outro relacionamento; é necessário aprender a controlá-lo e enfrentá-lo de uma maneira madura, e não agir sem pensar”, orienta Natalie.

Mas nem sempre é tão fácil assim. A ituana Ana Beatriz Santos, 21 anos, não sabia que era tão ciumenta. “Eu sempre sabia o horário que ele entrava no Orkut e eu conectava antes só para conferir se ele não apagaria nenhuma mensagem”. A jovem também confessa que já vasculhou o e-mail do namorado até encontrar o que estava procurando. “Isso foi a gota d’água do nosso namoro”, conta.

A psicóloga Silvia Brezzi acrescenta à lista das dias para um bom relacionamento, a importância de controlar a ansiedade. “Através da webcam só se tem acesso aquele momento, mas se a pessoa é muito ansiosa, a cabeça continua plugada e a ansiedade pode minar a sua autoconfiança e detonar a relação”. Então, nada de paranóia porque, cá entre nós, se o casal não tiver uma base solidificada, a traição pode acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento.

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